Artigo do Notícias da manhã
Escrito por Vasco Lopes




Continua a luta pela sobrevivência
Um pouco por todo o País, várias associações tentam lutar contra o flagelo dos animais abandonados, dedicando-se à recolha de cães e gatos. Contudo, a verdade é que, mais cedo ou mais tarde, muitas destas instituições acabam por enfrentar alguns problemas de cariz financeiro para poderem manter as portas abertas.
Uma destas instituições é justamente a Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita (que, apesar do nome, não está instalada na sede do concelho, mas sim na freguesia de Alhos Vedros), que combate diariamente para continuar a dar abrigo e alimento a quase 300 cães e pouco mais de 100 gatos.
DOIS DIAS DE CAMPANHA
Para tentar manter as portas abertas, a associação levou a cabo, neste fim-de-semana, no supermercado Modelo da Moita, uma campanha de recolha de donativos.
Assim, quem quisesse, poderia contribuir com ração seca para canídeos e felinos, arroz e massas, areia para gatos (essencial para a higiene dos felinos), comedouros, coleiras, trelas, transportadoras, casotas, medicamentos externos e internos ou até mesmo donativos em dinheiro (que serão canalizados para a construção do novo canil).
Quem desejasse contribuir de outra forma, poderia igualmente comprar alguns colares feitos por voluntárias da associação ou, em alternativa, adoptar um dos sete gatos ou cinco cães que foram levados para o local.
Apesar de muita gente se encontrar de férias, a verdade é que, em termos de donativos, as contribuições foram bastante razoáveis, permitindo à associação “ficar com alimentos armazenados para cerca de uma semana, pelo que se pode considerar que foi uma campanha razoável”, disse ao NM Helena Barroso, uma das voluntárias.
Note-se que, apesar de os donativos em alimentos parecerem bastante avultados (em especial, ao nível de sacos de 10 quilos de ração para cães), é preciso ter em linha de conta que os 400 animais recolhidos pela associação consomem qualquer coisa como 120 quilos de alimento por dia.
A SORTE DO número
13 E DOS GATOS PRETOS
No sábado, foram levados para o Modelo 12 animais para adopção (cinco cães e sete gatos), sendo que, por volta do meio-dia, uma gatinha tigrada havia já encontrado uma nova dona.
Mas, um pouco depois, veio o primeiro revés: Um casal chegou ao espaço da associação e depositou uma cadela caniche, de apenas sete meses, de seu nome “Madona”. Contudo, apesar de se tratar do 13. animal para adopção, a sorte acabou por bater à porta de “Madona”, que, umas horas depois de ter sido abandonada, já tinha novos donos.
Os restantes 11 animais que estiveram para adopção do sábado, não tiveram a mesma sorte. “Nicole”, por exemplo, é uma cadela rafeira extremamente meiga e afectuosa, que, infelizmente, está há alguns meses há espera de novos donos, ao ponto de ser considerada “azarada”. No sábado, após ter estado três meses numa família de acolhimento temporário, “Nicole” teve que regressar ao canil da associação, já que a sua “dona temporária” não tinha possibilidades de a manter por mais tempo. A despedida entre ambas foi selada com um abraço e muitas lágrimas por parte da voluntária da associação que a acolheu, mas há quem acredite que “Nicole” está destinada a encontrar os melhores donos do Mundo. Esperemos que assim seja…
Já no domingo, um dos gatos pretos que estava para adopção encontrou um novo dono, que não se importa do facto de estes animais estarem conotados com o azar. Também uma pequena cadelita, com um mês de idade, já vive em casa dos seus novos “pais”.
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Uma bonita história de solidariedade
Há mais de dois anos que a Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita enfrenta um processo de despejo, que, a concretizar-se, poderá mesmo levar a que os 400 animais que alberga sejam, pura e simplesmente, abatidos. Enquanto luta contra este processo, a associação, com os seus parcos meios, vai comprando materiais e pagando as obras de construção de um novo canil, situado num terreno a poucos metros do actual.
Contudo, para além de muito material e geradores terem sido roubados, também vários pedreiros menos escrupulosos receberam o pagamento sem ter feito as obras. E isto explica porque é que, neste momento, a construção do canil está ainda muito longe da sua conclusão, como, de resto, o NM teve a oportunidade de constatar.
Porém, no meio de tudo isto, há sempre um espírito de solidariedade que prevalece. Uma das voluntárias começou a contactar vários motoclubes da Península de Setúbal e, aos poucos, surgiram alguns sinais positivos. Após alguns contactos, alguns motoclubes começaram a dar o seu contributo - “por exemplo, um clube da zona do Poceirão trouxe-nos cerca de 30 ginásios de gatos, que irão para o nosso futuro canil”, explicou-nos Helena Barroso.
Um dos maiores contributos foi mesmo o do Motoclube do Montijo, que, várias vezes, organizou “almoçaradas” no local do futuro canil. Entre uma cerveja e umas entremeadas, os motards deram uma preciosa ajuda e a nova estrutura começou a nascer.
De imediato, outros clubes da zona começaram a fazer o mesmo, lançando no ar que o futuro canil pode ser uma realidade e os 400 animais da associação poderem ser salvos.

Escrito por Janete Frazão
Foto: Manuel Moreira
Dora nasceu para sofrer. Há dois meses, no entanto, saiu-lhe a sorte grande quando o destino desta cadela se cruzou com o de Isabel Lopes, vice-presidente da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita (AAAAMoita).
"Encontrei-a à beira da estrada, desfalecida. Estava cheia de dentadas de pit bull”, conta a enfermeira, cuja experiência lhe permite afirmar com convicção que a cadela serviu de isco para lutas entre cães. Hoje, Isabel e Dora nutrem uma adoração mútua que se percebe à léguas. E, depois de tudo o que passou, a vida finalmente sorri a esta cadela. Mas Dora corre o risco de voltar a ver dias mais tristes. Isabel explica porquê: “Estamos com sérios problemas com o vizinho do terreno ao lado e agora é a sério porque soubemos que já está em processo de activação uma ordem de despejo contra a AAAAMoita”. Se a situação se confirmar, isso significa que 350 cães e gatos ficarão sujeitos a um futuro que “só Deus conhece”.
O Canil/Gatil da AAAAMoita encontra-se num terreno descampado junto ao rio há 15 anos. No entanto, Isabel só faz parte da equipa há cinco. Os problemas surgiram três anos depois da sua chegada, com o vizinho do terreno do lado ao comando de uma queixa feita à Quercus. “Alegou que isto era prejudicial para a saúde pública, por falta de higiene”, lembra Isabel, que defende: “Só não temos melhores condições porque desde que foi feita a queixa não nos deixam fazer obras”. Revoltada, garante ainda que o vizinho quer é vê-los pelas costas. “Por detrás disto estão jogos sujos que ele não quer que ninguém veja”, deixa no ar.
Independentemente do vizinho ter razão ou não, na altura a AAAAMoita recebeu ordem para desocupar o terreno em 15 dias. Mas os membros da associação bateram o pé e têm levado a melhor. Até à semana passada. “Soube, por portas e travessas, que chegou uma carta à Câmara a exigir que tirem os animais”, conta Isabel, que agora teme que o pior aconteça. “Nós já temos um novo terreno para colocar os animais. O problema é que o material que tínhamos angariado para a construção das casotas foi-nos roubado e agora não temos dinheiro para voltar a comprá-lo”, adianta.
Mesmo assim, a AAAAMoita prefere arriscar para evitar uma desgraça. Por isso, vai pôr mãos à obra no próximo sábado, dia 14. “Vamos mudar o máximo de animais para o novo espaço, estarão melhor lá do que num outro sítio qualquer que nem quero imaginar”, afirma. E lança o desafio: “Vamos precisar de muitas mãos para transferir os animais. Apareçam!” Já agora, quem quiser, já sabe, pode sempre adoptar um novo amiguinho.
"PARA ISTO É PRECISO VESTIR A CAMISOLA"
Isabel Lopes adora animais. Enfermeira de profissão, não tem problemas em confidenciar que o ordenado que ganha vai todo para dar uma vida melhor aos seus “amiguinhos”. Ao fim do mês, não lhe sobra nada. Como vive? “Com a roupa que tenho no corpo”, afirma, despreocupada. O que recebe em troca? “A felicidade deles”, responde prontamente. “Não é fácil”, admite. Mas garante que compensa.
A AAAAMoita abriga e alimenta 350 cães e gatos. As condições não são as melhores, mas são as possíveis. “Eu até queria ter isto mais arranjado, mas desde há dois anos que não me deixam fazer nada por causa do processo”, adianta a enfermeira que, mesmo assim, vai fazendo o que está ao seu alcance: “Dou-lhes atenção e alimento-os.” E não é pouco. Para ter uma ideia, por dia, o canil/gatil gasta 130 quilos de granelado. “É preciso vestir a camisola”, garante Isabel: “Despi a do Futebol Clube do Porto para vestir a da AAAAMoita”, brinca.
Artigo de: Cláudia Veloso
Publicado:Público
Setúbal on-line

A Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita vai realizar, no próximo sábado, uma acção de recolha de fundos com o objectivo de terminar as obras do novo canil/gatil.
Depois de ter sido confrontada com a necessidade de abandonar o espaço que ocupa há cerca de dez anos, em Alhos Vedros, uma vez que o proprietário pretende vender os terrenos, a associação procura agora concluir as obras num outro terreno, para poder transferir os 350 animais que tem à sua guarda. De acordo com Helena Barroso, uma das voluntárias da associação, desde que foram avisados da necessidade de abandonar o local que os responsáveis começaram uma «longa luta» para conseguirem fundos. «Entre empreiteiros que receberam os montantes combinados e não terminaram as obras e a falta gritante de materiais, as obras foram-se arrastando», conta Helena Barroso.
Os clubes motards da zona têm dado uma ajuda na realização de eventos e na construção do espaço, mas «apesar da boa-vontade, tudo se mostrou insuficiente por falta de ajuda e de materiais». As quotas dos sócios, os donativos pontuais e os apoios da Câmara da Moita «são bem-vindos mas não chegam».
Num dos apelos recentes lançados aos construtores civis, lamenta Helena Barroso, «ninguém deu um único material». Às grandes superfícies também têm chagado pedidos de ajuda, sem sucesso. «Querer construir um espaço quando temos 350 animais para alimentar todos os dias é uma bola de neve difícil de resolver», explica Helena Barroso. «Damos dez animais numa campanha e quando chegamos ao canil temos mais dez animais à porta, abandonados».
Segundo a mesma responsável, a ordem de despejo recebida na semana passada precipitou a necessidade de multiplicar os pedidos de ajuda. A associação estima que sejam necessários cerca de sete mil euros para concluir os trabalhos do novo abrigo, bem como de «mangas arregaçadas». A concentração terá lugar durante todo o dia, no novo terreno, em Alhos Vedros.
Entre os materiais necessários estão o cimento, areia, tijolos, telhas zincadas, painéis de vedação, tubos e redes.
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